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Comerciantes, portos e sertões. A construção de estruturas portuárias no Porto Moderno.

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Comerciantes, portos e sertões. A construção de estruturas portuárias no Porto Moderno

Por Amândio Jorge Morais Barros

Revista da Faculdade de Letras, Série 3, Vol.9 (2008)

Resumo: Surgido na Idade Média, o Porto tornou-se um dos portos mais importantes da Península Ibérica. A afirmação da cidade sobre o território vizinho foi acompanhada pela expansão dos negócios para os mercados do norte de Flandres, Brabante, Grã-Bretanha e norte da França (Bretanha e Normandia), estimulando o surgimento de uma marinha mercante e inspirando um conjunto de obras de engenharia significadas para organizar o porto. Com este artigo, prestarei atenção ao papel desempenhado por pequenos portos e centros de negócios aparentemente modestos na construção e organização da primeira era global.

A história de um porto como o Porto vai contribuir para iluminar campos de interacção existentes entre as cidades-porto e as suas umlands e sertões, que sustentaram a sua economia, moldaram uma parte significativa da sua sociedade e influenciaram os seus padrões culturais. Neste estudo apresento os fatos mais importantes do processo de dominação territorial e a forma como as coisas foram conduzidas para efetivar sua economia mercantil. Gráficos serão apresentados e comentados, uma vez que são muito informativos para esta evolução, e também destacarei o contexto internacional em que ela ocorreu.

Introdução: Este artigo aborda a história das relações entre o Porto e o seu interior durante o final da Idade Média e os primeiros tempos modernos, e examina as condições gerais a partir das quais um tipo de processo jurisdicional gerou uma economia articulada. A análise aqui proposta demonstrará como, no longo prazo, diversas ações foram dirigidas a partir da cidade e visavam ampliar e efetivar sua autoridade sobre o território circundante, e com isso lucrar.

Nestes prefácios parece-me importante apresentar as linhas orientadoras das principais ideias que serão desenvolvidas nos capítulos seguintes, nomeadamente a extensão territorial e o nível de influência jurisdicional numa perspectiva diacrónica, e as iniciativas visando a sua consolidação, a motivação de todo o plano e a evolução dos laços económicos entretanto estabelecidos.

A primeira sublinha que o processo pelo qual o Porto conseguiu controlar um vasto território à volta da cidade foi rápido e nem de longe errático. As evidências mostrarão que a intervenção no sertão não foi uma tentativa empírica ou uma resposta a necessidades momentâneas. Tinha um sentido, um objetivo muito concreto: foi pensado e posto em prática durante a época medieval e buscava garantir a sobrevivência além do crescimento da riqueza da cidade. Depois de identificar as condições de assentamento da cidade - bastante desfavoráveis1 - os membros da Câmara Municipal fizeram um discurso político ao lado do rei justificando projetos expansionistas no interior como uma questão de sobrevivência. Esta é, talvez, a principal tese aqui sustentada: a de que a construção territorial do Porto, mais do que acidentalmente, foi cuidadosamente pensada e resolutamente alcançada.

A segunda ideia passa pelo facto de o Porto ter recebido uma carta municipal (1123) até aos anos medievais posteriores, tendo passado de pequeno centro urbano a um extenso território coincidente com o actual distrito do Porto.

A terceira ideia vai sublinhar o facto de os comandantes portuenses terem aproveitado o contencioso envolvendo o Bispo local e o Rei sobre o estatuto jurisdicional da cidade, tendo-lhes sido outorgados privilégios e adquirido direitos políticos sobre o campo. Este processo ocorreu entre 1369 e 1384 e foi uma consequência das necessidades de mão de obra para a construção de muros da cidade projetada, bem como uma questão das necessidades de abastecimento da cidade.

Assim, alguns capítulos irão analisar a fiabilidade deste território que era o mais povoado de Portugal e um dos mais férteis, características que bastam para explicar a atracção do Porto por ele. Os restantes registos municipais evidenciam inúmeras decisões e ações enérgicas lideradas pelo Porto quando a deserção arriscava armar a unidade almejada, principalmente ao nível da interdependência económica.


Assista o vídeo: Aula Portos e Hidrovias #2 (Julho 2022).


Comentários:

  1. Uchechi

    Lamento não poder fazer nada. Espero que você encontre a solução certa. Não se desespere.

  2. Terron

    Just Shine

  3. Deakin

    Eu compartilho totalmente o ponto de vista dela. Eu acho que essa é uma ótima ideia.

  4. Terrel

    exatamente ao ponto :)

  5. Malarisar

    nakanezto! obrigado.!!!!!



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